Pombal e o Terramoto

1755–1820

Terramoto e reconstrução

A 1 de novembro de 1755, o terramoto, o tsunami e o incêndio destruíram o centro de Lisboa. O Marquês de Pombal reconstruiu a cidade a régua e esquadro e governou o país com mão de ferro. Meio século depois chegaram as tropas de Napoleão, e a corte partiu para o Brasil.

Cronologia da época

Histórias ocultas: 5.

Histórias ocultas: 4.

  1. 1755
    O rei, a rainha e a princesa junto às carruagens na margem; ao longe, sobre a cidade, fumo e uma grande onda.

    1 de novembro de 1755 · Lisboa

    O terramoto de 1755

    • Documentado
    • Natureza
    • Idade mínima: 12+ (Há cenas de batalhas ou de violência.)
    • Tema difícil
    O rei saiu de Lisboa nessa manhã porque uma filha quis. (Ler a história)

    A 1 de novembro de 1755, Dia de Todos os Santos, D. José I ouviu missa logo de manhã e saiu de Lisboa, porque uma filha queria passar o feriado fora. Às 9h40, o terramoto; as igrejas estavam cheias. Seguiram-se o tsunami e dias de fogo, e morreram dezenas de milhares. O rei escapou, mas ficou com medo de paredes, e a corte mudou-se para tendas na Ajuda.

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  2. 1756
    Ilustração ao estilo do azulejo azul e branco: nos socalcos do Douro, trabalhadores erguem um marco de granito, um funcionário de tricórnio aponta o limite e outro homem arranca arbustos de sabugueiro.

    1756 · Vale do Douro

    Pedras para guardar o vinho

    Para salvar o vinho do Porto, Pombal mandou arrancar os sabugueiros. (Ler a história)

    Nos anos 1750, o comércio do vinho do Porto estava em crise: vinho a mais, falsificações a mais, e a maior parte vendida por comerciantes britânicos no Porto. Em 1756, Sebastião José de Carvalho e Melo, o futuro marquês de Pombal, criou uma companhia com o monopólio do comércio com Inglaterra e o Brasil, e arrancaram-se os sabugueiros. Dois anos depois foi erguido o primeiro dos 335 marcos de granito que delimitam a região, muitas vezes apontada como a primeira região vinhateira demarcada do mundo.

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  3. 1757
    Ilustração ao estilo do azulejo azul e branco: uma multidão enche uma rua estreita do Porto e protesta de braços erguidos.

    23 de fevereiro de 1757 · Porto

    Morra a Companhia!

    O Porto revoltou-se contra o ministro do rei, a gritar «Viva el-Rei!» (Ler a história)

    Na quarta-feira de cinzas, 23 de fevereiro de 1757, a multidão encheu as ruas do Porto a gritar pelo rei e contra a nova Companhia do vinho. Os taberneiros só viam um monopólio. Agrediram um juiz e destruíram bens. Pombal respondeu com tropas e julgamentos. Em outubro, entre 14 e 17 pessoas foram executadas.

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  4. 1760
    Uma rua da Baixa de prédios iguais; nas arcadas trabalham um ourives, um relojoeiro, um correeiro e um torneiro, e pela calçada passam os lisboetas.

    1760 · Lisboa

    As ruas dos ofícios

    Depois do terramoto, as ruas da Baixa foram repartidas pelos ofícios. (Ler a história)

    Depois de 1755, a Baixa de Lisboa foi reconstruída a régua e esquadro: ruas direitas, prédios iguais. A portaria régia de 5 de novembro de 1760 deu nomes às ruas e destinou a algumas delas certos ofícios. Na Rua Áurea deviam trabalhar os ourives e, na Rua dos Correeiros, os correeiros, os seleiros e os torneiros. Os lisboetas ainda dizem Rua do Ouro, embora na placa se leia Rua Áurea.

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  5. 1771
    Uma longa sala de biblioteca com estantes em dois andares; sob a abóbada voam morcegos e, sobre a mesa, está um livro aberto.

    século XVIII · Mafra

    Os guardas noturnos da biblioteca

    Em Mafra, os livros antigos são guardados à noite por morcegos. (Ler a história)

    No Palácio-Convento de Mafra, a noroeste de Lisboa, há uma biblioteca enorme: cerca de 36 mil volumes em estantes de madeira até ao teto. De dia está silenciosa e vazia. Mas à noite, de trás das estantes, saem pequenos morcegos que caçam os insetos que roem o papel e as encadernações de couro. Diz-se que sempre foi assim, mas ninguém sabe quando os morcegos se instalaram na biblioteca.

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  6. 1782
    Ilustração ao estilo do azulejo azul e branco: sob as arcadas junto ao Tejo, um homem descarrega de um burro blocos de gelo embrulhados em palha e os clientes do café provam gelados.

    1778 ou 1782 · Lisboa

    A Casa da Neve

    O café mais antigo de Lisboa foi aberto pelo neveiro do rei. (Ler a história)

    Na segunda metade do século XVIII, sob as arcadas da atual Praça do Comércio, Lisboa ganhou uma loja que vendia um luxo: gelo (as fontes dizem 1778 ou 1782). O fundador, Julião Pereira de Castro, era o neveiro da Casa Real. Numa cidade de tabernas, a sua Casa da Neve servia bebidas geladas e «neves» com sabores a quem podia pagar. Hoje é o café mais antigo de Lisboa, o Martinho da Arcada, e a mesa de Fernando Pessoa continua reservada.

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  7. 1801
    Ilustração ao estilo do azulejo azul e branco: um comandante espanhol segura um ramo de laranjeira diante dos soldados; ao fundo, a fortaleza abaluartada de Elvas.

    maio–junho de 1801 · Alto Alentejo

    A Guerra das Laranjas

    A guerra batizada por um ramo de laranjeira enviado à rainha. (Ler a história)

    Em maio de 1801, a Espanha, empurrada pela França de Napoleão, invadiu Portugal. O exército era comandado por Manuel Godoy, o primeiro-ministro e, diziam, amante da rainha. Não conseguiu tomar a fortaleza de Elvas, mas tomou Olivença e algumas vilas da fronteira. Diante de Elvas, conta a tradição, Godoy colheu um ramo de laranjas e enviou-o à rainha Maria Luísa como sinal de vitória. Os inimigos transformaram-no em anedota, e a guerra ficou a ser a Guerra das Laranjas.

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  8. 1807
    A corte partiu para o Brasil e a biblioteca ficou no cais. (Ler a história)

    Em novembro de 1807, o exército de Napoleão marchava sobre Lisboa. O príncipe regente D. João não se rendeu nem combateu: decidiu levar toda a corte para o Brasil. Em dois dias, em Belém, embarcaram a rainha, os ministros, os arquivos e as carruagens. Partiram com eles, segundo diferentes estimativas, entre 10 e 15 mil pessoas. Faltava vento, e a frota ficou no rio até 29 de novembro. No dia seguinte, o general Junot entrou na cidade.

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  9. 1809
    Uma mulher de xaile está num cais deserto e olha para a ponte de barcas desfeita; ao lado, trouxas abandonadas e velas num nicho.

    29 de março de 1809 · Porto

    A Ponte das Barcas

    • Documentado
    • Gente como nós
    • Idade mínima: 12+ (Há cenas de batalhas ou de violência.)
    • Tema difícil
    Milhares fugiram por uma ponte de barcos. A ponte cedeu. (Ler a história)

    Em março de 1809, as tropas francesas do marechal Soult tomaram o Porto. Em pânico, os moradores fugiram para Gaia pela Ponte das Barcas, uma ponte flutuante de barcaças construída em 1806. Perseguida pelos soldados, a multidão apinhou-se nas tábuas até a ponte ceder. As estimativas dos mortos vão de algumas centenas a mais de 4000.

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  10. 1810
    Ilustração ao estilo do azulejo azul e branco: camponeses cavam trincheiras e enchem cestos de terra numa colina, oficiais estudam um mapa, bois puxam um canhão; atrás, um mastro de sinais e um moinho.

    11 de outubro de 1810 · Sobral de Monte Agraço

    As Linhas de Torres Vedras

    Um ano a construir fortes que os franceses mal sabiam que existiam. (Ler a história)

    Em outubro de 1809, Wellington mandou fortificar as colinas a norte de Lisboa. Trabalhadores portugueses ergueram fortes e redutos em segredo. Em setembro de 1810, o marechal Masséna avançou para Lisboa com cerca de 60 000 homens, por uma terra sem comida, que os próprios camponeses tinham destruído. A 11 de outubro chegou às Linhas de Torres Vedras. Um mês depois, com fome, voltou para trás.

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  11. 1812
    Depois da Rússia, restavam uns cem homens da Legião de Napoleão. (Ler a história)

    Em 1808, os ocupantes franceses dissolveram o exército português e formaram uma legião com as suas unidades. Cerca de 9000 homens, comandados pelo marquês de Alorna, partiram para França como Legião Portuguesa. Combateram em Wagram, em 1809, e em 1812 foram para a Rússia, a Smolensk e a Borodino. Em 1813, restavam apenas uns cem.

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