Avis e Descobrimentos

1385–1580

Descobertas: o mundo no mapa

Uma nova dinastia defendeu o país em Aljubarrota e virou-se para o mar. Em século e meio, o pequeno Portugal chegou a África, à Índia, ao Brasil e ao Japão. Pimenta, elefantes e rinocerontes começaram a chegar a Lisboa.

Cronologia da época

Histórias ocultas: 2.

  1. 1385
    Um jovem cavaleiro de armadura aponta para o chão, soldados cavam valas e cravam estacas, ao longe um exército com bandeiras.

    14 de agosto de 1385 · Aljubarrota

    Batalha de Aljubarrota

    Aos 25 anos, deixou o conselho e escolheu o campo de batalha. (Ler a história)

    Em 1385, Nuno Álvares Pereira tinha 25 anos e era condestável de Portugal. O conselho de guerra não chegou a acordo sobre onde combater, por isso, a 6 de agosto, saiu do acampamento com uns 2000 homens e escolheu sozinho o campo de batalha. Segundo Froissart, mandou abrir valas e covas de lobo num planalto estreito. A 14, à hora das vésperas, os franceses que atacaram primeiro caíram lá dentro. Os castelhanos, muito mais numerosos, perderam.

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  2. 1415
    Ilustração ao estilo do azulejo azul e branco: no estaleiro do Douro, gente do Porto leva cestos para os navios, enquanto uma mulher segura um tacho de tripas e dois homens conversam.

    1415 · Porto

    Os tripeiros

    O Porto deu a carne, ficou com as tripas, ganhou alcunha. (Ler a história)

    Diz a lenda que, em 1415, os estaleiros do Porto construíam em segredo uma armada para Ceuta. O infante D. Henrique, nascido na cidade, apareceu sem avisar e contou ao mestre Vaz o verdadeiro destino. Vaz prometeu toda a carne da cidade aos navios; o povo ficava com as tripas. O infante disse que a alcunha de «tripeiros» era uma honra. O Porto nunca mais a largou.

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  3. 1434
    Numa praia deserta, um capitão mostra aos marinheiros um ramo de flores silvestres; ao largo, um barco com uma cruz na vela.

    1434 · Cabo Bojador

    O cabo do medo

    Doze anos a temer um cabo. Gil Eanes trouxe de lá flores. (Ler a história)

    O cabo Bojador, na costa do Sara Ocidental, era tido como um lugar de onde não se voltava. Dizia-se que para lá dele não havia gente, o mar era raso e as correntes não deixavam o navio regressar. O Infante D. Henrique mandou lá navio após navio, e todos voltaram para trás. Em 1433 voltou também Gil Eanes, de Lagos. O Infante enviou-o de novo e, em 1434, ele passou. Como prova, trouxe ao Infante plantas a que chamavam «rosas de Santa Maria».

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  4. 1502
    Veio negociar cavalos. Levou o mundo. (Ler a história)

    Em 1501, Alberto Cantino chegou a Lisboa a dizer que vinha tratar de cavalos. Era espião do duque de Ferrara e queria saber o que os capitães andavam a descobrir. Os mapas das novas rotas eram segredo de Estado, mas por 12 ducados de ouro alguém em Lisboa desenhou-lhe uma cópia do mundo: o Brasil, África, o caminho para a Índia. Em 1502 levou-a às escondidas. Em Génova copiaram-na, e as suas costas chegaram ao mapa de Waldseemüller, de 1507, o que deu nome à América.

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  5. 1511
    Ilustração ao estilo do azulejo azul e branco: elefantes de guerra avançam para uma ponte de madeira, onde soldados portugueses de lanças em punho os aguardam, e guerreiros malaios correm ao lado.

    25 de julho de 1511 · Malaca

    O dia em que os elefantes deram meia-volta

    • Documentado
    • Natureza
    • Idade mínima: 12+ (Há cenas de batalhas ou de violência.)
    O sultão lançou elefantes de guerra. Viraram-se contra os seus. (Ler a história)

    «Quem for senhor de Malaca tem a mão na garganta de Veneza», escreveu o boticário Tomé Pires, porque Malaca controlava a rota das especiarias. A 25 de julho de 1511, Afonso de Albuquerque atacou-a com cerca de mil homens. O sultão respondeu com elefantes de guerra. Os portugueses receberam-nos com lanças. O elefante do sultão, ferido, deu meia-volta aos berros, os outros entraram em pânico e esmagaram os seus, e o sultão, também ferido, abandonou a montada. Um mês depois, a cidade era portuguesa.

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  6. 1514
    Ofereceram um elefante ao papa, e o elefante ajoelhou-se diante dele. (Ler a história)

    Em 1514, D. Manuel I enviou a Roma uma embaixada com presentes para o novo papa, Leão X. O presente principal era um jovem elefante branco da Índia, com cerca de quatro anos. Na receção, o elefante ajoelhou-se diante do papa e barriu. Leão X ficou encantado e instalou o elefante no Vaticano. O elefante chamava-se Hanno: desfilava nas procissões, dedicavam-lhe versos e toda a Roma corria para o ver.

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  7. 1515
    O rei pôs um rinoceronte contra um elefante. O elefante fugiu. (Ler a história)

    Em maio de 1515 chegou a Lisboa um rinoceronte vindo da Índia, o primeiro vivo que a Europa via desde os romanos. A 3 de junho, D. Manuel I quis ver se era verdade o que Plínio escrevera: que elefantes e rinocerontes são inimigos de morte. Trouxeram um elefante novo perante a multidão. O bicho assustou-se com o barulho e fugiu antes de a luta começar.

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