A corte que fugiu para o Brasil
A corte partiu para o Brasil e a biblioteca ficou no cais.
A história
Em novembro de 1807, o exército de Napoleão marchava sobre Lisboa. O príncipe regente D. João não se rendeu nem combateu: decidiu levar toda a corte para o Brasil. Em dois dias, em Belém, embarcaram a rainha, os ministros, os arquivos e as carruagens. Partiram com eles, segundo diferentes estimativas, entre 10 e 15 mil pessoas. Faltava vento, e a frota ficou no rio até 29 de novembro. No dia seguinte, o general Junot entrou na cidade.
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Contexto
No fim de novembro saiu o decreto da mudança da corte para o Rio de Janeiro. O embarque começou no dia 27 e, na pressa, muita coisa ficou em terra. Os caixotes da Real Biblioteca, reunida de novo depois do incêndio de 1755, ficaram esquecidos no porto, ao sol e à chuva. Só seguiram para o Rio em 1810–1811, em três viagens. Hoje esses livros estão na base da Biblioteca Nacional do Brasil. A rainha D. Maria I estava gravemente doente havia muito tempo. Conta a tradição que, a caminho do cais, gritou ao cocheiro: «Não corram tanto, vão pensar que estamos a fugir!» Não há documentos com esta frase; repetem-na autores posteriores. A frota seguiu escoltada por navios britânicos. Em janeiro de 1808 chegou a Salvador e, em março, ao Rio. Durante treze anos, o Rio de Janeiro foi a capital do Império Português: o único caso de uma monarquia europeia governada a partir da sua colónia. D. João VI só regressou a Lisboa em 1821.

Ponte para hoje
Cais de Belém
Nesta margem de Belém, em novembro de 1807, a família real subiu para os navios.
Cais de Belém, Belém, LisboaPonte para hoje: Cais de Belém






























Fontes (4)· ligações verificadas em
- Diário de Notícias: «Quando os franceses ficaram dois dias a ver navios»
- Revista Pesquisa FAPESP: «Journey reading» · sobre a biblioteca, a partir do livro de Lilia Schwarcz
- Lilia Moritz Schwarcz, «A longa viagem da biblioteca dos reis», Companhia das Letras, 2002
- Laurentino Gomes, «1808», 2007 · livro, sem ligação; recontada a frase da rainha


