O rinoceronte e o elefante

1515Lisboa, Paço da Ribeira (hoje Praça do Comércio)

O rei pôs um rinoceronte contra um elefante. O elefante fugiu.

A história

Em maio de 1515 chegou a Lisboa um rinoceronte vindo da Índia, o primeiro vivo que a Europa via desde os romanos. A 3 de junho, D. Manuel I quis ver se era verdade o que Plínio escrevera: que elefantes e rinocerontes são inimigos de morte. Trouxeram um elefante novo perante a multidão. O bicho assustou-se com o barulho e fugiu antes de a luta começar.

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Contexto

O rinoceronte foi uma oferta do sultão Muzaffar de Cambaia (Guzerate) ao governador Afonso de Albuquerque, que o enviou a D. Manuel depois de quatro meses de viagem. Viveu na Europa de 20 de maio de 1515 a janeiro de 1516. Um ano antes, D. Manuel tinha enviado ao Papa Leão X um elefante, Hanão, e em dezembro de 1515 decidiu enviar também o rinoceronte. O navio afundou-se numa tempestade ao largo de La Spezia, no fim de janeiro de 1516, e o animal morreu afogado. Os relatos sobre o corpo divergem: a maioria diz que deu à costa, foi empalhado e seguiu para o Papa, outros que a pele voltou primeiro a Lisboa. Não encontrámos rasto de nenhum rinoceronte empalhado que exista hoje. Albrecht Dürer nunca o viu: baseou-se no esboço e na descrição de um mercador, mas a sua gravura, com um corno a mais no ombro, passou séculos a ser o rinoceronte da Europa. Em Lisboa, diz-se que há um rinoceronte de pedra numa guarita da Torre de Belém, construída por essa altura.

Xilogravura de Albrecht Dürer, 1515: um rinoceronte de perfil, coberto de placas, com um corno a mais no ombro.
Albrecht Dürer, Rinoceronte, 1515. Xilogravura. National Gallery of Art, Washington (Coleção Rosenwald).Imagem: Albrecht Dürer · Licença: CC0 · Fonte: Wikimedia Commons

Ponte para hoje

Torre de Belém (guarita com o rinoceronte)

Na Torre de Belém, uma guarita tem esculpida a cabeça de um rinoceronte.

Av. Brasília, Lisboa

Ponte para hoje: Torre de Belém (guarita com o rinoceronte)

© OpenStreetMap contributors, © CARTO

Como chegar

Fontes (10)· ligações verificadas em
  1. Early depictions of the first Lisbon rhinoceros in the 16th century (Pachyderm, DOI 10.69649/pachyderm.v65i.1312)Consultado em
  2. University of Warwick, press release on Giorgio Riello's research on Ganda: «How the Pope's rhino drowned»Consultado em
  3. Google Arts & Culture / DGPC: Bartizan depicting a rhinoceros, Tower of Belém · formulação «possibly»Consultado em
  4. Times Higher Education: «How Leo lionised a jumbo pet» · sobre o livro de Bedini
  5. International Rhino Foundation: A Gift fit for a King… and Also a Pope!
  6. L. C. Rookmaaker: Captive rhinoceroses in Europe from 1500 until 1810 (Bijdragen tot de Dierkunde 43, 1973)
  7. Dorotheum · descrição do lote segundo a Albertina (Viena)
  8. British Museum: «Rhinocerus», Albrecht Dürer, 1515 · a data da chegada do rinoceronte a Lisboa, 20 de maio de 1515Consultado em
  9. Smarthistory: «Dürer’s Rhinoceros: art, science, and the Northern Renaissance»Consultado em
  10. Silvio A. Bedini, «The Pope’s Elephant», Carcanet, 1997 · livro, sem ligaçãoConsultado em